Mamãe e Papai discutiam no andar de baixo, eu não gostava disso.

“Ele é um porco bêbado e fedorento e ela uma vadia masoquista”.

Era sempre sobre a mesma coisa, todo dia, toda vez que ele estava em casa. Dinheiro.

“Porco se não gastasse tudo em bebidas e vadias de esquinas teria mais”.

Eu sabia o motivo de estarmos no escuro naquela noite, haviam cortado nossa luz por falta de pagamento, eu não gostava de ficar no escuro. Principalmente à noite.

“Você não deveria mais ter medo do escuro já está muito grande pra isso”


Masky Girl: A OrigemMamãe gritava sobre como não conseguia pagar as contas e ainda comprar meu remédio, já papai dizia que isso não era o mais importante e sim o fato dele estar devendo pra muitas pessoas e que se não pagássemos ficaríamos sem casa. Mamãe ainda tentou insistir que meu remédio era uma causa mais urgente, mas ele não ouvia, ouvi mamãe gritar e um barulho de vidro quebrado, e mais alguns gritos abafados. E por fim silêncio.

“Ele deve ter finalmente tê-la matado não vai fazer falta ela só servia pra capacho”

Eu estava preocupada com mamãe eu tinha de ver se ela estava bem, abri a porta de meu quarto e coloquei temerosamente minha cabeça para fora, o corredor estava escuro e gelado como um mausoléu de pedra, caminhei a passos receosos em direção à escada, conforme eu andava sentia o piso frio sobre meus pés desnudos, pouco tempo depois sentia que não estava saindo do lugar pois nunca chegava à escada, ela não era tão longe, não havia uma mínima luz que pudesse me guiar pelas sombras, era como se eu estivesse cega, tateei em volta a procura das paredes mas elas já não estavam ali, também não sentia mais meus pés tocarem o chão frio e de repente já não tinha controle sobre meu corpo, não sabia onde estava, aquilo era aterrorizante, uma tortura horrível e insuportável, queria gritar mas não sentia minha boca ou mesmo qualquer parte do meu corpo, estava tudo amortecido. Aquilo devia ser mais uma das minhas varias alucinações que tinha quando ficava muito tempo sem tomar meu remédio, mas dessa vez era diferente eu não estava vendo coisas ou mesmo surtando aos gritos por medo de algo irreal, aquilo parecia real, mais real do que qualquer alucinação que já tive nesses quinze anos. 

Comecei a me sentir mal, como se estivesse sendo desmembrada, tendo cada parte do meu corpo arrancada de maneira completamente estranha, a dor era excruciante até que, já não senti mais nada, nem mesmo meus pensamentos, o cansaço tomou conta de mim, mesmo relutando me rendi ao sono enquanto despencava em uma queda cega e sem fim, com uma voz sussurrando meu nome “Lucy”.

" Frio era tudo que sentia, mas isso não me incomodava, nem o frio nem o escuro, ele era parte de mim, de nós, eu era parte dela, e ela parte de mim, mas ... Não queriam me deixar ficar, não me queriam por perto, tentaram me matar, mas mesmo assim eu ainda estava ali observando, esperando.

Senti um cheiro conhecido meu vindo do andar de baixo, era gasolina, aquele porco iria por fogo na casa deixando eu minha mamãe queimar vivas, do pé da escada, o vi, ele desceu para o porão com uma simples lanterna em seu chaveiro, depois de tudo que ele fez a nós ele não sairia dali com vida. 

Peguei um cano de ferro que se encontrava perto do beiral da escada de madeira podre, segurei-o firme e decidida a mata-lo, estava pronta para um golpe certeiro em sua cabeça mas ele me agarrou e me chutou para o chão ficando em cima de mim, não havia como me livrar dele, ainda tinha uma pequena chance, minha mão se fechou em um punhado de terra que foi lançado em seus olhos, ele ainda teve tempo de me dar um tapa que me fez cair sobre os vários amontoados de caixas, ele me pegou pelo pescoço e me jogou em outro canto, o lado direito de meu rosto bateu contra o metal da fornalha que servia para aquecer a casa, ele corria escada acima aos tropeços, quando me levantei um pedaço da carne do meu rosto ficou preso à parede da fornalha que cheirava a carne humana queimada, voltei meus olhos às pilhas de caixas que havia derrubado, uma fraca luz de cima iluminava uma mascara branca de olhos e boca negros, me levantei o mais rápido que pude peguei a mascara do chão e a coloquei o plástico pareceu se fundir com a parte que faltava em meu rosto.

Ele já havia começado o incêndio, mas burro como era ficou preso entre as chamas, esbocei um sorriso de satisfação por de baixo da mascara, ele cairá na própria armadilha, podia ouvir os sons de sirenes que se aproximavam, corri o mais rápido que pude mesmo tendo algumas das partes de meus braços queimadas consegui escapar, finalmente estava livre.
Parei em um beco onde haviam vários entulhos domésticos largados de qualquer maneira, havia um espelho trincado onde mirei minha imagem, tentei retirar a mascara para ver o estado de meu rosto mas eles haviam se fundido num só.

Estava começando a chover havia uma pequena cabana improvisada com latões e papelão, passaria a noite ali, até conseguir outra vitima para me divertir. Eu precisava de um novo nome toquei meu rosto e ele veio imediatamente. 


Masky Girl

Masky Girl: A Origem

Susy chegou pontualmente às nove da noite na casa onde iria cuidar de duas crianças de três e cinco anos enquanto seus pais iriam a um jantar de negócios em uma cidade vizinha.
A Babá e o PalhaçoDepois de dar as explicações para o casal saiu da casa deixando Susy com as crianças que já haviam ido deitar-se, o que evitou que ela conhecesse as crianças ou seu quarto.

Algum tempo depois ela escutou choro de crianças no andar de cima onde ficavam os quartos e foi lá ver o que era. Chegando lá encontrou as duas meninas chorando muito.
(O que foi?) – perguntou Susy.

(Eu não gosto de palhaços)- disse uma delas estendendo a mão para um canto do quarto.
Susy levou um susto ao ver um boneco de palhaço do tamanho de uma pessoa adulta. Segundos após recuperar do susto ela também ficou com medo, pois aquele boneco era muito assustador. Pensou por que os pais deixariam um boneco tão feio no quarto das meninas. Ela sentou e cantou canções para as duas até elas voltarem a dormir. Depois disso voltou para o primeiro andar da casa e foi assistir televisão.

Um estouro acompanhado do choro das meninas minutos depois alertou novamente a babá. Ela correu para o quarto onde as meninas encontravam-se chorando da mesma maneira de antes.
(Vocês tem que voltar a dormir. Ainda estão com medo do palhaço?)
(Ele estourou um balão pra nos assustar) 
Susy olhou para o chão e viu o balão estourado, uma agulhada no estomago a deixou preocupada. Ela olhou para o palhaço uma vez mais e pensou que ele estava em outra posição da primeira vez que ela o viu. Ela também ficou com medo e disse para as meninas que iria pedir para os pais virem embora. Desceu as escadas e pegou o telefone que estava na parede, mas estava sem linha. Foi até sua bolsa, pegou o celular e digitou o numero deixado pelos pais das crianças, a mulher atendeu.

(Oi aqui é a Susy, eu estou ligando porque as meninas estão com muito medo. Eu queria saber se eu posso tirar ou cobrir aquele boneco de palhaço gigante lá no quarto delas.) (”< “O que? Nós não temos nenhum boneco de palhaço em casa.) Somente ai Susy deu-se conta que não mais ouvia o choro das crianças e saiu em disparada para a escada. O suor frio descia pela sua testa, seu coração disparado e a boca seca deixam clara a sensação de pavor que ela sentia naquele momento. Cada degrau da escada parecia ter quilômetros, pois ela queria ver as crianças e saber se estava tudo bem. A única coisa que a mãe da criança escutou foi um grito e o telefone caindo no chão. O casal voltou para casa imediatamente e quando chegaram encontraram as duas crianças e a babá mortas. Todas tinham seus rostos pintados de palhaço e um balão de hélio amarrado no braço

A Babá e o Palhaço

O Jogo Do CelularOlá. Você pode me chamar de "Jack". Não é meu nome verdadeiro, mas por enquanto isto é o suficiente que você precisa saber. Acho que chegou a hora de eu contar minha história. Acredite ou não, essa é a verdade. Eu espero que você aprenda com meus erros, mesmo se você ignorar tudo isso como as outras 98% que escutarem minha história até o final.
Mas há mais verdade nessa história do que qualquer um de vocês possa imaginas.
Agora, estou fora da escola há três anos, mas antes, um evento em particular ocorreu, então eu vou ter de voltar um pouco no tempo para contar a história.Acredite ou não, essa é a verdade. Eu espero que você aprenda com meus erros, mesmo se você ignorar tudo isso como as outras 98% que escutarem minha história até o final.
Mas há mais verdade nessa história do que qualquer um de vocês possa imaginas.
Agora, estou fora da escola há três anos, mas antes, um evento em particular ocorreu, então eu vou ter de voltar um pouco no tempo para contar a história.

Primeiramente, meus primeiros dois anos e meio do ensino médio, eu estudei em uma escola na parte profunda do Sul da América, perto do Golfo.

Crescemos ouvindo todos os tipos de histórias assustadoras e se há uma lição que nossos pais super conservadores nos ensinou foi que: nunca brinque com coisas desconhecidas.

Até esse momento eu era muito impopular no meu colégio. Meus dois primeiros anos do ensino médio foram uma dor real, porque eu era uma grande idiota e todos riram de mim. Eu era um solitário... e tudo o que eu realmente fazia na aula era jogar meu Game Boy todo dia antes de correr para casa para jogar um RPG que era viciado.

Tudo mudou durante meu primeiro ano, quando nos mudamos para o oeste.

Comecei a frequentar uma escola Católica com não mais de 250 alunos. Foi nessa época que eu finalmente comecei a encaixar e fazer amigos. Ninguém aqui sabia quanto idiota eu era na outra escola, então optei por "mudar minha personalidade" e tentei fazer amigos pela primeira vez na minha vida. E quem sabe, talvez até consiga uma namorada bonita se tive sorte.

Comecei a conhecer pessoas na escola. Em uma escola tão pequena, você acaba conhecendo todo mundo na sua classe.

Meu primeiro dia que eu fiz um novo amigo chamado Sam... e na hora do almoço, optei para sentar com ele e seus amigos. Ele me disse tudo sobre as outras crianças da escola - quem era mais popular, os atletas, assim por diante.

Ele me apresentou a seus amigos, também: Jim, um grande sujeito que tinha uma média de 10 em todas as matérias, Vogelman o nerd e hacker e Thomas um músico que tocava guitarra em uma banda.

Também conheci Stephanie, menina asiática e corajosa. Alguns dos rapazes diziam que ela era uma vadia, mas ela pareceria legal o suficiente. Por algum motivo ela me achava engraçado e por isso começamos a nos encontrar depois das aulas.

Sam me contou muitas histórias sobre ela, como ela costumava fazer alguns lanches e polvilhava todos com Viagra ou despejava laxantes ele comiam e sofriam o impacto e passavam horas no banheiro. Eu apenas ri educadamente e nunca aceitei as coisas que ela me oferecia para comer, com medo de ser alguma pegadinha dela.

Também havia Rottenbacher. Seu verdadeiro nome era Jason, mas todo mundo sempre o chamava "Rottenbacher" ou "Alemão" porque ele era um nazista hardcore. Ele era rejeitado e solitário. Ninguém queria ser amigo dele. Todos os dias ele usava uma braçadeira suástica vermelha sob o casaco dele onde os professores não podia ver.

Além disso, no dia das bruxas e nos eventos de fantasia da escola ele sempre ia com seu uniforme nazista e longas botas SS.

Na verdade ele era um angustiado filha da puta. Sempre que tínhamos aula de história e a professora lhe perguntava sobre o nazismo, ele gritava insultos raciais ou étnicos, ele deixava a aula gritando "Heil Hitler!"

Além disso, uma coisa peculiar que chamava minha atenção, Era que mancava como se sentisse muita dor. Sam me disse que alguém viu uma vez apertar um cilício farpado no vestiário de uma Igreja Católica, como seu fosse para se punir por seus pecados.

Era uma escola católica, então as pessoas acreditavam que aquilo era apenas um devoto cristão. Foi meio estranho para um amante de Hitler hardcore como Rottenbacher, nas como eu era noivo no colégio não dei muita importância.

Depois que ele terminou de me apresentar para todos seus colegas, Sam me contou algumas das antigas histórias da escola - incluindo uma lenda urbana que circulou sobre a cidade, uma garota que morreu misteriosamente depois de jogar algo denominado como "O celular jogo  do celular". Se você perguntasse a alguém o que aconteceu, ninguém podia nada de relevante. Sempre disseram que era porque ela jogou “O jogo do celular”

Sam, Stephanie travessa, Rottenbacher nazista, O jogo de telefone celular, Investigação da polícia sobre o desaparecimento da adolescente. Todas essas pessoas e eventos estavam prestes a se juntam para me tirar de um lugar que ao menos gostaria de estar.

Enfim, o segundo semestre passo e num piscar de olhos já era o ultimo ano do ensino médio.

Todo mundo estava de volta para o novo ano escolar, bombeado para iniciar o mais preguiçoso e mais divertido ano de nossas vidas do ensino médio. Mesmo Rottenbacher, ainda mancando em torno da escola fez em Cilicio farpado, ainda jorrando seu nazismo de lixo cada vez que alguém mexia com ele.

O ano começou estranhamente calmo. Mais dois casos de desaparecimento havia acontecido na escola e a policia já estava desconfiando de algum possível serial killer. De acordo com o jornal, a única coisa em comum que a polícia havia encontrado, era que cada pessoa que desapareceu tinha recebido uma mensagem de texto que dizia: "Bem-vindo ao jogo". Mas como as mensagens havia sido enviada de pessoas diferentes a policia descartou essa informação.

Para mim, as coisas finalmente não estavam indo mal.  Foi neste ano que finalmente eu comecei a me abrir com varias pessoas. Fiz grandes amizades e pela primeira vez não me sentia sozinho. Aos poucos, comecei a me encaixar em vários grupos e isso fez de mim uma pessoa popular.

Stephanie sempre me acompanhava porque me achava engraçado e por algum motivo ela gostava de minha piadas. Teve  um dia - que eu ainda me lembro como um dos mais felizes da minha vida - ela veio até mim no meio do campus depois da escola e olhou para mim com esses olhos asiáticos bonitos e que cabelos longos, pretos e um sorriso maravilhoso. Eu nunca tinha visto ela tão bonita, ela com jeito um pouco tímida perguntou:
- Jack, você... quer ser meu namorado?

Eu sorri, pulei de alegria ao ouvir isso. – Mas é claro! Claro que sim - eu disse, então nós nos beijamos na frente de todos. Eu finalmente tinha uma namorada. Ainda me lembro que foi um dos dias mais felizes de toda a minha vida, se não o mais feliz. Nós saímos depois da escola, íamos ao cinema, namoramos na casa dela e na minha.

Talvez eu não ficasse tão feliz se eu soubesse o que aconteceria nos próximos dias.

Foi um dia na hora do almoço, ela estava sentada com a gente, quando ela mencionou que em uma noite com suas amigas elas ficaram conversando sobre a lenda do “ O Jogo do Celular”. Ela disse que essas meninas sabiam tudo sobre as regras do jogo e que tinha explicado tudo a ela em grande detalhe.

Supostamente, você pode entrar no jogo a qualquer momento era só enviar uma mensagem de texto à meia-noite para o número de telefone correto. A mensagem de texto deveria dizer: "Eu desejo ter o poder de amaldiçoar pessoas". Se fizer certo, você receberá uma mensagem de volta dizendo: "Bem-vindo ao jogo"  e supostamente, esta era a razão dada a policia sobre os desaparecimentos.

Stephanie falou mais sobre o jogo e prestamos atenção no que ela dizia.

Ela nos disse que uma vez que alguém esteja dentro do jogo, ele corre risco de vida. Dentro de duas semanas eles seriam submetidos a diferentes tarefas ou então eles seriam arrastados no meio da noite.

Eu interrompi ela – Arrastado? Por quê? Para onde?

Ela ficou em silencio por um tempo antes de responder.

- Eu não sei - ela sussurrou antes de continuar a sua história.

Ela disse que haviam duas formas de não ser arrastado:

A primeira era encontrando um item de proteção especial. O item pode ser qualquer coisa. Você nunca sabia o que ia ser, mas tinha que ser algum item que deveria sempre te acompanhar e que estaria sempre te machucando lhe causando muita dor. Este era um preço pequeno dependendo do tempo de vida que ainda lhe resta.

A segunda maneira era trazer alguém para o jogo. Isso poderia ser feito enviando uma mensagem de texto dizendo "Bem vindo ao jogo" para qualquer pessoa que você conheça pessoalmente. Se alguém recebeu a mensagem de texto de outra pessoa que estava no jogo, então isso significava que essa pessoa estava agora no jogo também, e sujeito a todas as mesmas regras e consequências do jogo. Se a pessoa não encontrar um item de proteção a si mesmo, ou trazer outra pessoa ao jogo, então eles também seriam arrastados.

O problema dessa segunda forma é a seguinte: Enquanto o item de proteção te proteja por tempo indeterminado. Trazer alguém para o jogo, só aumenta o tempo para você encontrar um item de proteção por mais duas semanas. Se depois trazer mais alguém apenas uma semana. Eventualmente, o período de carência iria ficar cada vez mais curtos. E nesse tempo você teria que encontrar seu item de proteção.

Mesmo que isso parecesse um episódio do arquivo X, eu não gostava de ouvi-la falar sobre essas coisas, então eu disse a ela que era um monte de bobagens.

- Você realmente acha bobagem? - Ela perguntou. -Se isso for verdade imagine o quão legal isso seria capaz de amaldiçoar quem mexeu com você, trazendo elas para o jogo! Você poderia se livrar de qualquer um e ninguém jamais saberia que foi você.

Eu nunca tinha ouvindo Stephanie falando desse jeito. Ela quase parecia insana com o pensamento de vingança. Verdade seja dita, isso me assustou um pouco.

Então eu disse a ela – Nós não devemos ir brincar com coisas além de nossa compreensão. E se você se envolvesse com isso e descobrisse que é verdade? Eu não sei o que faria se algo acontecesse com você! Me prometa que você não vai mexer com essas coisas!

Ela me deu um olhar engraçado – Eu nunca pensei que você seria o tipo de pessoa a tem medo dessas coisas bobas, Jack."

- Bem, eu só não acho que é certo mexer em coisas que você não entende –  Eu olhei preocupado pra ela – Agora me prometa Stephanie. Promete que não vai tentar fazer isso.

Ela suspirou – Tudo bem, tudo bem. Eu não vou tentar jogar o jogo do celular. Você está feliz agora?

Eu disse que sim, mas verdade seja dita, eu estava com medo. Eu não acreditei nela. Em todo esse tempo que estivemos juntos eu nunca desconfiei que ela mentia pra mim ou que me traísse, mas eu podia ver em seus olhos que ela tentaria esse jogo. Mas desta vez era sério.

Então, alguns dias depois, ela se aproximou de mim e nos disse que havia entrado no jogo do celular, eu me irritei.

-O que você está pensando, Stephanie? Você me prometeu que não faria isso!

- Sim, sim eu sei! Mas não é nenhuma grande coisa. Eu já tenho tudo planejado. Além disso, se for verdade e funcionar, será uma oportunidade que eu não deixaria passar.

Ela ergueu seu celular e disse – Veja você mesmo.

Uma mensagem de texto é aberta na tela que dizia: "Bem-vindo ao jogo".

- Meio estranho, não é? Eu recebi logo depois que enviei o texto à meia-noite, assim como as meninas disseram.

Meu queixo caiu. Eu fiquei sem palavras e aterrorizado. Este jogo não pode ser real, não é?

- Stephanie, se isso for real, então você está em perigo agora. Você só tem duas semanas para encontrar seu item de proteção.

- Eu sei. É por isso que eu mandei o texto para Rebecca. Vou descobrir se o jogo é real ou não!

- Você fez o quê? Mas Stephanie, se isso for real, então significa que você pode ser uma assassina! A Rebecca agora poderia morrer por sua causa!
-
-Relaxe, Jack. Eu realmente não acredito em nada dessas coisas. Mas por via das duvidas, Rebecca sempre foi uma vadia. Eu eu percebi o jeito que ela olhava pra você durante as aulas. Ela deu a mesma risadinha maliciosa dela que eu sempre amei. Mas desta vez, eu não me senti confortável com isso.

Algumas semanas se passaram e nada aconteceu. Mas então, um dia, Rebecca não apareceu na escola. Na hora do almoço, Stephanie estava sentado em torno de nós, como de costume, quando o assistente principal veio dar um aviso com seu megafone.

- Peço um pouco de atenção por favor – Todo ficou em silêncio. – A polícia nos informou que uma de suas colegas, Rebecca, esta desaparecia.

Pele dourada de Stephanie ficou branco. Ela congelou.

- Os pais delas estão muitos preocupados. Se algum de vocês sabe alguma coisa sobre isso, por favor, venha falar comigo depois da aula. Por enquanto é isso.

- Stephanie ... – Eu sussurrei. Eu estava com muito medo por ela. Eu estava com muito medo de que ela poderia fazer. Ela olhou para mim e disse – Não diga nada.

Ela se levantou e saiu correndo do refeitório. Eu persegui atrás dela.

- Stephanie! Stephanie! O que você está fazendo?

Ela continuou correndo de mim então tirou seu telefone do bolso.

- Não tente me parar, Jack. Para sobreviver eu vou precisar de mais tempo. Posso ficar mais uma semana se eu colocar alguém no jogo, e isso vai me dar três semanas para encontrar.

- Stephanie, ouça o que esta dizendo, quem você pensa em amaldiçoar agora? Você mataria mais alguém por um pouco de tempo extra? Olha o que aconteceu com você!

Ela começou a chorar.

- Eu sei, porra! Mas eu sei quem eu vou amaldiçoar. Ninguém vai sentir falta dele, eu prometo.

- Stephanie, isso não está certo. Você não pode fazer isso. Ninguém merece isso. Deixe-me ajudá-la! Podemos encontrar um objeto de proteção para você juntos!

Ela se virou e me mostrou seu telefone celular. Ela tinha acabado de enviar uma mensagem que dizia: "Bem-vindo ao jogo".

Ela enviou para Rottenbacher.

Eu comecei a chorar. Agarrei ela tão firmemente quanto pude. – Stephanie, Stephanie. Eu te amo. Mas eu sinto muito. Isso não está certo. Nada disso é certo.

Ela segurou em mim e começou a chorar profundamente também. Nos abraçamos lá por quase uma hora. Eu ainda me lembro como se fosse ontem.

Então, naquela noite, antes de irmos para casa, nós dois resolvemos que começaríamos a procurar um item de proteção no dia seguinte.
No dia seguinte, eu estava andando com Stephanie, depois da escola, quando Rottenbacher se aproximou de nós com o seu telefone celular. Ele estava furioso.

- Isso é algum tipo de piada sua vadia de olhos puxados?

Verdade seja dita, eu achava que Rottenbacher tinha o direito de estar um pouco irritado. Claro, ele era um maníaco pervertido nazista, mas com todos os boatos de assassinato por aí, eu poderia imaginar alguém estar com raiva após receber uma mensagem de texto como esse.

Mas mesmo assim, eu não ia deixar ninguém falar com a minha namorada assim.

- Hey cara, olha o respeito! Essa não é a forma de se falar com uma dama!

- Dama? – Rottenbacher gritou – Essa dai não é nenhuma dama! Ela é apenas uma vadia e ela tentou me matar! Aposto que você matou a outra menina, também, não é? Rebecca? Ela está desaparecida por sua causa não é?

Stephanie começou a chorar novamente.

Eu puxei meu braço para trás e dei um soco tão forte que pude no  rosto do Rottenbacher. Ele tropeçou para trás alguns passos e passou a mão na boca, da qual escorria um pouco de fluxo de sangue, mas ele manteve a compostura.

Eu meio que pensei que ele iria pra cima de mim para me bater.

Depois de um momento ele falou:

- Você não entende né Stephanie? Eu já estou no jogo. Eu sempre estive. Eu sei das regras e o tempo extra que você tem. Mas ao contrário de você, eu nunca precisei matar ninguém. "

- Bobagem – Eu disse – Se tudo isso é verdade, então como é que você ainda esta vivo?

De repente, me lembrei do cilício que Rottenbacher usava em torno de sua perna que lhe causou a mancar em agonia, e que Stephanie tinha me dito na hora do almoço.

Sempre que um novo item de proteção foi descoberto, o que quer que fosse, faria com que seu portador a sofra.

- Você tem um item de proteção.

Os olhos de Stephanie se iluminou. Ficou claro que havia percebido a mesma coisa que eu tinha. Rottenbacher sorriu –  Isso mesmo, e se eu fosse sua namorada, me preocupava em encontrar algum item ao invés de fazer novas vitimas.

Stephanie olhou para ele com medo em seus olhos.

Os dias se passaram e por mais que tentemos, Stephanie e eu não conseguíamos encontrar nada que poderíamos qualificar como um item de proteção. Estávamos nos aproximando do prazo de duas semanas e ela estava parecendo cada vez mais assustada a cada dia. Seu cabelo estava uma bagunça, sua personalidade geralmente borbulhante era triste e perturbada. Ela olhava para o nada durante as aulas e orava constantemente.
Após o prazo de duas semanas, nós dois estávamos aterrorizados. Ela veio até mim na escola e disse: - Jack, eu quero que você durma comigo esta noite. Fique comigo a noite toda. Não deixe que me peguem.

Eu não podia recusar. Eu apareci em sua casa tarde da noite e entrei pela sua janela. Dormimos juntos. Foi agridoce.

Ela foi dormir me segurando, mas eu fiquei acordado a maior parte da noite observando e esperando, até que eu finalmente cai no sono por volta das 4:30 da manhã de tão exausto.

No dia seguinte, quando acordei, tudo que eu conseguia pensar era "Stephanie!" Eu olhei ao redor freneticamente. Ela não estava na cama ao meu lado.

- Stephanie! – Eu gritei alto e sai da cama e comecei a procurá-la. Caminhei em sua cozinha.

- Não fale tão alto – disse uma voz. Era Stephanie. Eu me virei para vê-la sentada em uma mesa redonda na cozinha. Ela estava sorrindo e parecia tão aflita como sempre.

Dei um suspiro de alívio.

- Meus pais já foram trabalhar, mas eu não quero que os vizinhos a fiquem desconfiados de alguma coisa.

Chorei de alívio. O tempo extra dela tinha acabado e ela estava segura. Nada havia chegado para ela. Corri todo o chão da cozinha e abracei ela e nos beijamos.

Tudo estava normal.

Por duas semanas.

Então eu fui para a escola um dia e nove de nossos colegas havia desaparecido, incluindo Sam.

Todo mundo estava apavorado. Ninguém sabia o que tinha acontecido com eles ou para onde eles teriam ido. Ninguém sabia, exceto eu e a pessoa que era responsável por isso: Stephanie.

Se a quantidade de tempo prolongado foi reduzido pela metade a cada vez que ela trouxe alguém para o jogo, significava que seu tempo extra estaria funcionando novamente até esta noite.

Eu confrontei ela sobre isso depois da escola.

- Stephanie, a polícia está ficando desconfiada. Você não pode mais fazer isso, e eu não posso te ver fazendo isso. Isso é errado. Ele é mau!

Ela me olhou em silêncio. Ainda me lembro do olhar em seus olhos naquele dia. Neste ponto, tornou-se claro para mim que a menina que eu tinha conhecido e amado estava muito longe, e tudo o que restava era uma desalmada, perversa que se agarrava à vida e temia a morte mais do que tudo. Mas mesmo assim, eu ainda a amava mais do que tudo. Ela foi minha primeira e única namorada, eu não poderia deixá-la ir. Eu não podia deixar que nada aconteça a ela.

- Está tudo bem – ela disse – Eu não vou mais fazer isso. Eu aceito o que as consequências. Ninguém mais vai morrer por minha causa.
- Stephanie ... você tem certeza? Talvez ainda podemos encontrar um item de proteção para você, se procurarmos agora.

Ela olhou para baixo tristemente – Não há mais motivo para fugir do meu destino. Só quero passar a noite com você hoje à noite, ok? Só mais uma noite juntos. Isso é tudo que eu quero.

Eu fiquei com o coração partido. Tudo era muito melancólico e muito melodramático. Eu estava tão triste ao ouvir suas palavras que ela seria tirada de mim.

Eu vomitei. Vomitei e vomitei repetidamente em uma lata de lixo próximo de nos tentando revidar um fluxo interminável de lágrimas.

Naquela noite, ela dormiu comigo de novo. Doente, fraco e cansado, eu desmaiei de cansaço perto das 3h00.

Menos de uma hora depois, eu acordei com um sobressalto.

Stephanie foi embora.

Sentei-me e olhei em volta, em seguida encontrei um bilhete. Eu li.

“[Jack]: Sinto muito por ter mentido para você novamente, mas eu não estou pronto para morrer ainda"

Um calafrio percorreu minha espinha. Eu continuei a ler.

"Eu descobri o que eu preciso fazer. Não se preocupe, como eu prometi, ninguém vai morrer por minha causa”

O que ela poderia estar pensando? Eu olhei em volta do meu quarto. De repente, notei que a pistola calibre .45 que meu pai comprou-me para o meu aniversário de 18 anos havia desaparecido do meu quarto, e agora tudo fez sentido.

É por isso que ela queria passar a noite comigo esta noite. Ela queria que a minha arma. ela estava planejando ir atrás Rottenbacher e tomar o seu item de proteção.

O tão rápido que pude coloquei uma roupa e sai correndo para o carro do meu pai. Eu sai em disparada em direção apartamento de Rottenbacher.

Quando cheguei lá, notei que a fechadura havia sido baleada e de fora e ouvia vozes no vindo de dentro.

Eu empurrei a porta aberta – O que está acontecendo aqui? – Eu gritei.

Olhei em volta. Stephanie estava apontando a arma para. As paredes do apartamento estavam cobertas com fotos de Adolf Hitler e banners suástica. Havia chicotes e correntes espalhadas pelo chão do quarto. Rottenbacher estava pisando em torno de pijamas de manga cumprida e xingando ela em sua forma neonazista típica, gritando sobre 'invasão de domicílio' e sobre  "chamar a polícia" e isso e aquilo. Ele estava mesmo usando aquela braçadeira nazista estúpida. Era óbvio que esse cara era um fanático louco.

Stephanie gritou para ele – Cale a boca!
Ela disparou dois tiros contra a parede atrás dele.

- Agora me dê essa coisa farpada de tortura que você está sempre usando, ou eu vou matá-lo agora mesmo.

A voz dela era assustadora.

Rottenbacher ficou no lugar por um momento e, lentamente começou a tirar as calças do pijama.

- Você está cometendo um grande erro. Você deveria apenas aceitar as coisas como são e morrer com dignidade. Você não vai conseguir acabar com isso.

Ele tirou o Cilicio de sua perna, do qual escorria uma pequena quantidade de sangue e entregou a ela.

Imediatamente, ela colocou-o em sua própria perna com uma mão, mexendo com a minha pistola, enquanto ela apertou até doer, e sua própria perna começou a sangrar um pouco.

- Vamos, Jack –  Ela sussurrou e se virou para sair.

Comecei a sair com ela. Do apartamento, ouvi gritos de Rottenbacher.

- Você não vai se safar dessa! Ele vai vir para você e ele vai arrastá-lo para o inferno pelo o que você fez! Você vai pagar pelas vidas dos seus colegas!

Eu podia ver que ela estava chorando um pouco à medida que nos afastávamos.

Eu estava mal. Fiquei enojado com tudo isso. Eu fiquei com nojo de Stephanie por ser tão cruel e egoísta, e eu fiquei com nojo de mim mesmo que assisti tudo isso e vendo os sinais, e não fazer nada para detê-la. Mas pelo menos agora ela estaria segura.

Enquanto caminhávamos de volta para o carro, eu fiz uma pequena oração para Rottenbacher na esperança de que ele pudesse encontrar um novo item de proteção dentro de duas semanas. Ele pode ter sido um bastardo racista, mas de certa forma, ele ainda mais bondoso do que Stephanie. E se o que ele disse sobre nunca trazer ninguém ao jogo fosse verdade, e ele não merecia morrer por isso.

Eu deixei Stephanie em sua casa. Ela estava exausta. Eu teria dado-lhe um beijo, mas eu estava muito enjoado e só queria que todo o calvário acabasse.

- Boa noite – Eu sussurrei pra ela.

- Boa noite, Jack. Eu te amo - ela sussurrou de volta, e saiu do carro e voltou para sua casa.

Eu comecei a dirigir para casa, exausto com tudo que aconteceu.

De repente, meu celular começou a tocar. Eu o peguei. Era uma chamada da Stephanie.
Eu perguntei.

- Alô?

A primeira coisa que ouvi foi um grito, seguido pelo que soava como o barulho de bater em sua porta.

- Jack! Me ajude! Ele está aqui! Ele está aqui, e ele está vindo para mim!

- O quê? Espere, Stephanie!

Fiz uma reviravolta na com o carro e sai em disparada de volta para sua casa. Stephanie estava se tornando mais frenética.

De repente, do outro lado da linha, ouvi o som de sua porta sendo surrada, seguido por outro grito. Eu podia ouvir Stephanie gritando no topo de seus pulmões, meu sangue gelou com grito. Eu ainda me lembro do momento perfeitamente, e eu me lembro dos gritos dela palavra por palavra.

- Não, Não, eu não quero morrer! - A adrenalina subiu no meu coração e eu pisei no acelerador.
-Não, Não, Por favor, Pare!

Ela gritou novamente e ouvi o que parecia ser o telefone batendo no chão os gritos de Stephanie foi ficando cada vez mais longe.

E, em seguida, o ar morto.

- Stephanie? Stephanie! Responda porra!

Não obtendo resposta, eu desliguei e chamei a polícia.

Quando cheguei na casa de Stephanie, a porta da frente havia sido esmagada, eu estacionei o carro em seu gramado e pulou para fora, carregando minha pistola calibre .45 comigo.

Corri para dentro, procurando pelos corredores. Tudo estava em câmera lenta.

Então, eu fui para o quarto de Stephanie. Eu acendi a luz e verificado todos os cantos com a minha pistola na liderança. Finalmente, eu abaixei a arma quando algo me chamou a atenção no centro da sala. O celular de Stephanie estava jogado no chão ao lado de sua cama.

No meio da sala no tapete, tinha uma pequena mancha de sangue. Não era mais do que algumas gotas. Mas a visão mais arrepiante de tudo era que a partir da borda da cama dela até a porta de seu quarto que levava para o corredor havia um rastro de marcas de garras que ela tinha deixado como algo ou alguém tivesse arrastado para longe de sua condenação.

Eu não aguentava mais.Me Virei e sai do quarto. Na saída, eu não pude deixar de notar que ela tinha arrancado a maioria de suas unhas arranhando o tapete e que eles estavam espalhados perto dos trilhos que seus dedos haviam deixado.

Eu podia ouvir as sirenes chegando à distância

Passaram os dias, então semanas, depois meses. A polícia fez investigações, eles me questionaram muitas vezes, minhas história eram sempre iguais. Eu disse a eles a verdade, como eu sabia. Eu acho que eles não acreditaram em mim, mas todas as evidências comprovaram minhas história e não havia nada que eles pudessem usar para me julgar como culpado. Então eles me liberaram.

As coisas gradualmente voltou ao normal.

Nossas aulas voltaram ao normal e eu terminei o ano depois fui para a faculdade.

Mas havia uma coisa que ainda me incomodava a respeito de Rottenbacher. É que ele não desapareceu como as outras pessoas. E a Stephanie tinha feito certo e conseguiu seu item, mas mesmo assim ela foi arrastada.

Isso pode significar apenas duas coisas: Ou as regras estavam erradas, ou foi Rottenbacher que se livrou de minha namorada. Se este fosse o caso, eu mesmo vou lançar minha vingança sobre ele.

O Jogo Do Celular

O Medo
Jenny acabara de se mudar para um casarão no interior de uma pequena cidade junto com o seu cachorro, Mike. A casa pertenceu a sua falecida avó que a deixou como herança. A casa era bem grande, com vários quartos, banheiros e corredores.

   Durante a noite, quando estava colocando alguns de seus pertences no porão, Jenny encontrou um pequeno boneco feito de palha, dentro de uma caixa em cima de uma prateleira. Era um boneco com um capuz com manchas vermelhas, tinha uma costura onde ficava a sua boca, além de outras coisas medonhas. Por algum motivo Jenny ficou um pouco assustada com aquele boneco. Decide então jogá-lo fora.

   Mais tarde, naquela noite, Jenny teve um terrível pesadelo com uma figura que se assemelhava àquele boneco, onde a figura falava, com uma voz incompreensível e assustadora, alguma coisa. Pela manhã, antes de ir ao trabalho, nota que Mike não para de arranhar a porta do porão enquanto late. Ela tenta acalmá-lo, mas não consegue. Então decide abrir a porta para ver o porquê de Mike estar daquele jeito. Quando abre a porta, nota que aquele boneco está bem no meio do porão, no chão.
   Jenny se perguntava como ele havia parado ali, pois o havia jogado no lixo no dia anterior. Mas o boneco estava com uma aparência diferente e parecia estar maior que antes. Assustada, ela não conseguiu tirar ele dali, o deixando lá, já que quase nunca entrava ali.

   Nos dias que se seguiram ela continuou tendo pesadelos com aquele ser, inclusive ele a machucava de diversas formas nos sonhos, até que um dia ao acordar pela manhã, viu hematomas pelo corpo. Ela não sabia o que fazer, e a essa altura ela já havia sido completamente consumida pelo medo, mal conseguia esboçar uma reação para aquela situação, mas sabia que tinha algo haver com aquele boneco.

   As coisas foram piorando com o passar do tempo, começaram a aparecer arranhões e até cortes nela. Então desesperada e cansada de tudo isso resolveu tomar uma atitude, dizendo que não iria mais deixar que isso continuasse acontecendo.
   Encarando os seus medos, foi até o porão, chegando lá o boneco havia se transformado na criatura de seus pesadelos. A criatura tinha uma aparência horripilante, semelhante a do boneco, olhos medonhos, um capuz negro e uma boca costurada.

   Muito assustada, ela ateia fogo no porão com um galão de gasolina que havia pego para tocar fogo no boneco, pois acreditava que ele era origem de tudo, e ateando fogo nele iria acabar com tudo isso. Mas antes que tudo começasse a pegar fogo de fato, a criatura emitiu um barulho estranho e desapareceu.
   Não ficou nenhum vestígio nem da criatura e nem do boneco. Jenny se perguntou durante muito tempo o que havia acontecido, o que foi tudo aquilo, todo aquele tormento, e por que a criatura simplesmente desapareceu. Mas o fato é que a criatura nunca mais voltou a atormentá-la...

O Medo

ERROR 53Ontem eu estava fazendo um jogo com o progama Sean chamado "ERROR#53", o nome é estranho, mas você vai ver porque ele é chamado assim. Eu fiz esse jogo para o meu irmãozinho e tinha certeza que tudo estava bem, com nada fora dos padrões de um jogo infantil, hoje já não tenho mais certeza. O jogo parecia muito infantil, mas queria testá-lo de qualquer maneira antes de meu irmão, 

ERROR 53

Demônio do SonoVocê sabe quando está prestes à cair no sono quando sente um imenso choque passar pelas suas vísceras, ossos, seu sistema nervoso inteiro que abruptamente te deixa alerta? É como uma imensa dose de adrenalina que o violenta com uma sensação única na região das suprarrenais, se ainda está difícil de lembrar. Muitas vezes descrito como se estivesse caindo, como se tivessem te mordido no sono, mas pelo contrário, esse evento tem uma explicação muito mais mórbida do que você pode imaginar.



Demônio do Sono

O Suicidio do Lula Molusco
Quero começar por dizer, se você quer uma resposta no final, se prepare para se decepcionar. Não há apenas uma. Eu era estagiário na Nickelodeon Studios há um ano em 2005 para a minha licenciatura em animação. Não era o pagamento do curso, a maioria dos estágios não são, mas tinha algumas vantagens para além da educação. Para adultos, pode não parecer grande, mas a maioria das crianças no momento em que bate sobre ele. Desde que eu trabalhava diretamente com os editores e animadores, eu comecei a ver os novos episódios antes de ir ao ar. Eu vou ter direito a ela, sem dar muitos detalhes desnecessários. Eles tinham muito recentemente fez o filme Bob Esponja e toda a equipe foi um pouco de criatividade minou por isso levou mais tempo para iniciar a temporada. Mas o atraso durou mais tempo por razões mais perturbadoras. Houve um problema com o premier da série 4, que definir tudo e todos para trás por vários meses. Eu e dois outros internos estavam na sala de edição, juntamente com os animadores de chumbo e editores de som para o corte final. Recebemos a cópia que era para ser "O medo de um ambúrguer de siri" e se reuniram ao redor da tela para assistir. Agora, uma vez que não é final ainda animadores, muitas vezes colocar um cartão de título simulados, uma espécie de piada interna para nós, com falsa, muitas vezes lascivas títulos, como "Como o sexo não funciona" em vez de "Rock-a-by-Bivalve", quando Bob Esponja e Patrick adotam uma vieira do mar. Nada de particularmente engraçado, mas por trabalhos relacionados, ri. Então, quando vimos a placa de título "O suicídio de Lula Molusco" nós não pensamos mais do que uma piada mórbida. Um dos estagiários fez uma pequena risada garganta para ele. A música Happy-go-lucky toca normalmente.

A história começou com Lula Molusco praticando seu clarinete, batendo algumas notas ruins como normal. Ouvimos Bob Esponja parando em frente e começa a rir de Lula Molusco, que pede á ele para calar a boca, pois tem um show naquela noite e precisa de prática. Bob Esponja diz tudo bem e vai visitar Sandy com Patrick. As bolhas tela inicial aparece e vemos o fim do show de Lula Molusco. Isto é, quando as coisas começaram a parecer forado normal. Durante o show, alguns quadros se repetem, mas o som não (neste ponto é o som sincronizado com a animação então sim, não é comum), mas quando ele pára de tocar, o som termina como se o show nunca tivesse acontecido. Há um murmúrio ligeiro e o público começa a vaiá-lo. Não é vaiar o Lula Molusco que é incomum no show, mas você poderia muito bem ouvir o desespero dele nele. Daí mostra Lula Molusco em full frame, que olha visivelmente com medo. A cena muda para a multidão, com Bob Esponja no centro da tela, que também está vaiando, que é muito diferente dele. No entanto, essa não é a coisa mais estranha. O que é estranho é que todos tinham os olhos hiper realista. Muito detalhado. Claro que não é de olhos de pessoas reais, mas algo um pouco mais real do CGI. Os espectadores estavam vermelhos. Alguns de nós olhamos a cena, obviamente confuso, mas já que não foram os escritores que não pôs em causa o seu apelo para as crianças, ainda. A cena muda para o Lula Molusco, sentado na beira de sua cama, olhando muito desamparado. O o ponto de vista de sua janela vigia é de um céu noturno por isso não é muito tempo após o concerto. A parte preocupante é neste ponto não há som. Literalmente, sem som. Nem mesmo o feedback dos alto-falantes na sala. É como se os alto falantes fossem desligados, embora o seu estado lhes mostrou funcionando perfeitamente. Ele apenas ficou lá, piscando, neste silêncio por cerca de 30 segundos, então ele começou a soluçar baixinho.

Ele colocou as mãos (os tentáculos) sobre os olhos e chorou em silêncio por um minuto mais, tudo ao mesmo tempo um som no fundo muito lentamente a crescer a partir do nada para quase inaudível. Soou como uma leve brisa por uma floresta. A tela começa lentamente a aumentar o zoom em seu rosto. Por lento que quero dizer é só perceptível se você olhar para fotos 10 segundo além lado a lado. Seu choro fica mais alto, mais cheio de mágoa e raiva. A tela começa com contrações um pouco, como se torce sobre si mesma, por uma fração de segundo e depois volta ao normal. O vento através das árvores "som fica mais alto e lentamente, mais grave, como se uma tempestade está se formando em algum lugar. A parte assustadora é o som, e soluços de Lula Molusco, parecia real, como se o som não vinha de alto-falantes, mas como se os alto-falantes eram buracos, o som estava vindo através do outro lado. Tão bom quanto o som como o estúdio gosta de ter, eles não compram o equipamento a ser tão bom para produzir o som dessa qualidade. Abaixo o som do vento e soluçar, muito fraco, algo que parecia rir. Ele veio em intervalos irregulares e nunca durou mais de um segundo para que você tivesse um tempo difícil fixando-lo (que assistiram a este show duas vezes, por isso perdoem-me se as coisas soam muito específicas, mas eu tive tempo para pensar sobre eles). Após 30 segundos desta, a tela borrada e se contorceu violentamente e algo brilhou sobre a tela, como se um único quadro foi substituído. O editor de animação levar uma pausa e rebobinar quadro a quadro. O que vimos foi horrível. Era uma foto de uma criança morta. Ele não poderia ter mais do que 6 anos. O rosto estava desfigurado e ensangüentado, um olho pendurado sobre o rosto virado para cima, bateu. Ele estava nu, seu estômago grosseiramente cortado e suas entranhas, ao lado dele. Ele estava deitado no chão algumas que provavelmente era uma estrada.

A parte mais preocupante foi que não havia uma sombra do fotógrafo. Não havia fita crime, nenhuma evidência de tags ou marcadores, eo ângulo era completamente fora de uma cena destinado a uma evidência. Parece que o fotógrafo foi o responsável pela morte da criança. Estávamos, evidentemente, petrificados, mas continuamos a assistir, esperando que isso foi apenas uma brincadeira doente. A tela voltou para Lula Molusco, ainda soluçando, mais alto do que antes, e metade do corpo na cena. Não era agora que se apresentou para ser o sangue escorrendo pelo rosto dos seus olhos. O sangue também foi feita em um estilo hiper-realista, olhando como se você tocasse desejando obter sangue em seus dedos. O vento soava agora como se fosse a de uma tempestade sopra através da floresta, havia até mesmo tirando sons de galhos. O riso, um barítono profundo e duradouro com intervalos maiores e vindo com mais freqüência. Após cerca de 20 segundos, a tela novamente torcida e mostrou uma foto de quadro único. O editor estava relutante em voltar, todos nós estávamos, mas sabia que tinha que fazer. Desta vez, a foto foi a de que parecia ser uma menina, não mais do que o primeiro filho. Ela estava deitada de bruços, ela presilhas em uma poça de sangue ao lado dela. Seu olho esquerdo estava muito estalou para fora e colocou nu, com exceção de cuecas. Suas entranhas foram empilhados em cima dela acima de um outro corte bruto ao longo de sua volta. Mais uma vez o corpo estava na rua ea sombra do fotógrafo foi visível, muito similar em tamanho e forma ao primeiro. Eu tinha engolindo vômito e um estagiário, a única mulher na sala, correu para fora. O show recomeçou. Cerca de 5 segundos depois desta foto segunda partida, Lula Molusco ficou em silêncio, assim como todo o som, como era quando começou essa cena. Ele colocou seus tentáculos para baixo e seus olhos estavam agora feito em hiper realismo como os outros estavam no começo deste episódio.

Eles estavam sangrando, vermelhos e pulsantes. Ele só olhou para a tela, como se estivesse assistindo ao telespectador. Após cerca de 10 segundos, ele começou a chorar, desta vez não cobrindo seus olhos. O som era penetrante e forte, e mais o medo de todos é induzir seus soluços foi misturado com gritos. Lágrimas e sangue foram escorrendo o rosto, a uma taxa pesada. O som do vento voltou, e assim fez o profundo manifestou a rir, e desta vez as fotos ainda durou um bom 5 frames. O animador foi capaz de pará-lo pra backup. Desta vez, a foto era de um menino da mesma idade, mas desta vez o cenário foi diferente. As vísceras estavam apenas sendo retirado de um estômago ferido por uma grande mão, o olho direito estourado e sangue, pendurados escorrendo-lo. A animação prosseguiu. Era difícil de acreditar, mas a próxima foi diferente, mas nós não poderíamos dizer o quê. Foi sobre a coisa, mesmo ao lado. Ele quer voltar para o primeiro e jogou-os mais rápido e eu me perdi. Vomitei no chão, a animação e editores de som ofegaram na tela. Os 5 quadros não foram como se fossem 5 fotos diferentes, eles foram tirados como se fossem fotogramas de um vídeo. Vimos a mão lentamente retirando as tripas, que viu os olhos do garoto incidir sobre ela, que ainda viu dois quadros do garoto começam a piscar. O editor de som de chumbo nos disse para parar, ele teve de chamar o criador para ver isso. Sr. Hillenburg chegou dentro de aproximadamente 15 minutos. Ele estava confuso por que ele foi chamado por lá, assim que o editor só continuou o episódio. Uma vez que os poucos quadros foram mostrados, todos os gritos, o som parou de novo. Lula Molusco estava apenas olhando para o espectador, full frame da cara, por cerca de 3 segundos. A cena rapidamente recuou e ouvimos uma voz profunda: "Do It", e logo vemos nas mãos de Lula Molusco uma espingarda. Ele imediatamente coloca a arma na boca e puxa o gatilho.

O sangue realista e massa encefálica na parede atrás dele e em sua cama, então ele voa para trás com força.

Os últimos 5 segundos do episódio mostra seu corpo na CBO, por seu lado, um olho pendurado com o que sobrou de sua cabeça acima do chão, olhando fixamente para ele. Em seguida, o episódio termina. Sr. Hillenburg está obviamente irritado com isso. Ele exigiu saber que diabos estava acontecendo. A maioria das pessoas deixou a sala, neste momento, então era apenas alguns de nós a vê-lo novamente. Ver o episódio duas vezes só serviu para imprimir a totalidade em minha mente e me causar pesadelos horríveis. Me desculpe, eu fiquei. A única teoria que podia pensar era que o arquivo foi editado por alguém na cadeia, desde o estúdio de desenho para cá. O CTO foi chamado para analisar, quando isso aconteceu. A análise do processo revelou que foi editada ao longo de material novo. No entanto, a hora de que era de apenas 24 segundos antes de nós começamos a vê-lo. Todos os equipamentos envolvidos foi examinado para software e hardware externo, bem como falhas, como se o carimbo de tempo pode ter mostrado o momento errado, mas o check-out não mostrou problemas. Nós não sabemos o que aconteceu e o que ninguém fêz neste dia. Houve uma investigação, devido à natureza das fotos, mas não deu em nada. Nenhuma criança vista foi identificado e não foram recolhidos indícios a partir dos dados envolvidos, nem indícios físicos nas fotos. Eu nunca acreditei em fenômenos inexplicáveis antes, mas agora que ví alguma coisa acontecer e não poder provar nada sobre ele além de relatos, eu pensaria duas vezes sobre as coisas.

O Suicidio do Lula Molusco

O Palhaço, a Tinta e as TurbinasJamais esquecerei a experiência que vivi naquele lugar. Você deve ouvir isto para saber mais sobre a coisa que eu vi e porque você deve ser cuidado lá fora, o mundo é sombrio. Minha vida ficou traumatizada por este evento. Sinto que escrever sobre isso me ajudar a liberar algumas das terríveis lembranças do que aconteceu. Minha pobre família.

Quando eu era mais jovem, minha família comprou uma bela casa no que parecia ser no meio do nada. Era barato e apenas a 5 km da minha escola. Era maravilhoso. Eu me lembro de todas que aquelas vezes que eu costumava brincar no jardim com meus brinquedos e pensar sobre como grande a vida era. A escola obviamente era uma chatice, mas a ideia de que este lugar era meu parque de diversões natural era incrível. Eu era filho único, então tive que inventar alguns jogos para me manter entretido quando meus pais saiam. Minha vida era brilhante. Todos os dias depois da escola, eu voltava para casa, correndo lá fora e então entrar no meu mundo por horas. A vida era maravilhosa.

No entanto, havia duas perguntas que começaram a me incomodar depois de um longo tempo. Primeiro era que meus pais nunca me permitiam entram em seu quarto, e sempre deixam a porta firmemente trancada. Isso nunca realmente me incomodou no início da vida neste "palácio", mas então eu percebi que a coisa toda em si, era estranha. A segunda questão é esta: Havia campos que rodeavam nosso quintal e estes campos eram cheios de turbinas eólicas. Muitas delas. Não entendia pra que elas serviam naquela época. Foi há muito tempo atrás. Estas turbinas pareciam ser infinitas. Faziam me sentir muito fraco e vulnerável. Elas pareciam olhar para você, com os braços girando, girando, girando durante todo o dia. Disseram-me para nunca ir para esses campos. Não foi por causa das turbinas. Ah não. Foi por causa de uma figura que podia ser vista à distância durante todo o dia e a noite toda. Que diabos era aquilo?

Um dia, minha mãe foi à cidade e ela me deixou sozinho em nosso labirinto de uma casa. Digamos que foi irresponsável da parte dela, eu tinha apenas 9 anos e meu pai estava no trabalho, então ele não poderia cuidar de mim. De qualquer forma, eu só aceitei e ela saiu. Fiquei muito feliz de estar sozinho. Eu poderia brincar meus próprios jogos em casa e ninguém poderia me deter. Eu estava em êxtase. Eu não perdi tempo e fui para fora no jardim e as turbinas novamente pareciam olhar para mim, convidando-me para os campos onde eles trabalharam. Eu não pude resistir. Ninguém estava aqui para me repreender, então poderia escapar por alguns minutos!


Caminhei lentamente pelo meu jardim, chutando alguns brinquedos para fora do caminho. Minha mente começou a imaginar e inventar histórias. Eu olhei à esquerda e para a direita, depois me virei para ver se alguém podia me ver. Eu continuei em direção a cerca do jardim e no campo. Subi por cima do muro com muito esforço, como um velho tentando mover-se do seu lugar. Eu consegui pular a cerca de madeira e olhei com temor ao ver estas coisas. Então eu olhei para baixo na planície e notei que aquela figura. Ela estava muito longe, mas meus pais nunca saberiam o que eu fiz essa tarde. Então comecei a atravessar o campo, mantive meus olhos na figura. Não senti medo enquanto eu continuava em direção das turbinas, mas achei que devía voltar para trás. Não queria mais ficar neste campo. Não porque eu estava com medo disso. Geralmente eu não gostava das turbinas. Desta vez, eu estava entediado. Qual foi a razão disso tudo? Provavelmente meus sabiam que era apenas uma estátua ou algo assim. Eles só diziam pra me afastar para eu não sair da vista deles. Cada criança deve explorar. Faz parte do crescimento.

Eu comecei a voltar para trás, mas como eu fiz isso, o céu de repente ficou escuro. Muito escuro. Deve ter chegado a uma nuvem de tempestade. Ótimo. Agora eu poderia ficar todo molhado e eu seria apanhado pelos meus pais. Comecei a correr de volta para casa. Algo não parecia certo. Todo o meu corpo começou a se sentir formigamento, como um arrepio gelado. Eu corri de volta para a casa e levou e dei uma rápida olhada no campo, foi quando eu notei isso, a figura havia se movido. Eu não em pensei em nada na época. Corri para o meu quarto e olhei pela janela e percebi que ele tinha novamente havia se movido. A figura estava agora olhando para a casa. Normalmente ele só olhava para as turbinas.

Passei o resto da noite pensando em tudo o que tinha acontecido naquele campo. O que era essa coisa? Tinha que ser uma pessoa. Talvez ele estivesse preso. Se ele não foi embora, talvez porque esteja precisando de ajuda, certo? Eu fui para a cama naquela noite me sentindo um pouco estranho. Não tenho medo, apenas, estranho.

No dia seguinte, minha mãe saiu de novo e ela me deu a opção de ficar em casa ou ir com ela. Eu fui com ela? Não, claro que não fui. Eu fiquei em casa e voltei para os campos com uma sensação de medo no meu estômago. Eu não sabia o porquê. Esta pessoa parecia solitária. Eu precisava perguntar o que ela estava fazendo. Eu arranquei alguma coragem e comecei a caminhar. Eu nem pisquei. Eu só mantive meus olhos sobre a figura durante toda caminhada. Ele definitivamente estava olhando para mim, sem dúvida. Eu acenei para ele, por sua vez, não recebi nenhum gesto de volta.

Conforme eu me aproximava, notei a roupa que a figura estava usando. A maioria das roupas da figura era vermelha. A figura usava um chapéu com uma pena branca no topo. Até mesmo os sapatos eram vermelhos. Poderia ver o rosto agora. Eles tinham um nariz bulboso vermelho. A parte inferior, a metade de seu rosto foi pintada de azul. Parecia que seus lábios estavam pintados de branco. Esta pessoa era um palhaço. O que um palhaço estava fazendo no meio de um campo observando minha casa?

- Olá – Eu gritei.

Não houve resposta. Eu estava a uma distância de justa para o palhaço. A pessoa certamente era um homem. Chamei o palhaço. Nenhuma resposta ainda.

- O que esta fazendo aqui? – Eu perguntei.

De repente, o palhaço num piscar de olhos levantou um pouco a cabeça. Eu dei dois passos para trás.

- Está me ouvindo? – Eu perguntei.

- Você deveria dar mais passos para trás - O palhaço finalmente me respondeu.

- Qual é o seu nome – Eu continuei interrogá-lo.

- Meu nome não importa. Estou aqui porque quero estar aqui. Eu moro aqui, criança... – Respondeu o palhaço.

- Não! Na verdade eu moro aqui - Eu disse, tranquilizando-o.

- Eu moro aqui. Você me perturbou. - E aqueles que me perturbam me ajudam a pintar.

Eu fiquei confuso sobre esta última parte. Ajudá-lo a pintar o que?

- O que quer dizer? Eu vou contar pra minha mãe sobre isso. – Eu disse com uma autoridade infantil. Claro que pensei que eu estava certo. Eu era uma criança. Eu era o chefe nesta conversa. Pelo menos assim eu pensei.

- Sua mãe vai recusar acreditar em você, garoto. Ela é apenas uma mulher sem coração. Ela já me viu. Por que você acha que ela não quer você venha no campo? Ela sabe de mim. Ah eu a avisei. Eu realmente avisei.

Eu estava ouvindo atentamente. Minha mãe esteve aqui? É por isso que ela estava me dizendo para ficar longe? Não, não pode ser. Isto deve ser meu pai caracterizado. Eu pensei que era uma piada cruel para me manter longe deste campo.

- Pare de brincar pai! –  Eu gritei.

- Você acha que seu papai virá te salvar? Não, ele não vai. Você sabe, os seus pais, te deixam muito tempo sozinho, não é? Você sabe o que quero dizer. Você é sempre deixado sozinho em casa. Por que acha que isso acontece? Eu disse a eles. Eu os avisei. Eles estão assustados. Eles têm medo de mim. Esperei por você por um tempo garoto. Quando eles estão fora, eu não estou.

- Como você sabe que eles me deixam sozinho? Quem é você? – Eu gritei

- Seu pior pesadelo.

Ele me cintou. Eu me virei e corri mais rápido que pude. Eu corri e corri e corri por um longo tempo. Olhei para trás. Ele tinha ido. Eu corri volta para casa. Meus pais ainda não tinham chego. O céu estava tão escuro. Era sete da noite. Mamãe e papai devem estar em casa logo, pensei. Eu desatei a chorar e fui para o telefone. O telefone foi quebrado em pedaços. Alguém deve já deve estar em casa. Ah não. Não pode ser!

Eu tinha que sair da casa. Eu estava nas inundações de lágrimas e meus olhos ardentes mantinham a borrar tudo. Esfreguei-os violentamente, quando repetidamente tentei abrir a porta da frente. Mas ele estava do outro lado impedindo eu abrir. Eu ficava puxando a porta, mas nada. Se essa coisa quer meus pais fora de casa, por qualquer motivo, seria por algo no quarto deles? Tentei sacudir para fora o pensamento, mas ele manteve nublando a minha mente. Ouvi barulhos vindos da cozinha. Enxugando as lágrimas, fui lá em cima e invadi o quarto da minha mãe sem pensar em qualquer coisa.

Uma vez que a porta tinha quebrado na parede ao lado dele, fiquei em silêncio. Não queria escrever sobre isto, mas, pendurado no teto, era meu pai. Três correntes surgiram do teto, cada um cavado nas costas, sangue ainda escorrendo de seu corpo sem vida. Eu vomitei. Continuei vomitando toda vez que eu olhava para a coisa. As paredes estavam cobertas por palavras. Depois de arremessar meus olhos para longe do corpo várias vezes notei que as palavras eram todas iguais.

"Sacrifício".

De repente, quando olhei para porta, era ele. O palhaço. Eu gritei enquanto ele caminhava aproximando mais e mais na minha direção. Ele segurou um pincel na mão esquerda e um pote de tinta na sua direita.

- Eu te avisei - ele falou. Ele atirou-se na minha direção. O pote de tinta veio em direção a minha cabeça. Eu gritava e cobri os olhos e então, eu acordei.

Isto parece ser uma trama estúpida, não é? Mas não é. Por favor, continue lendo. Você tem que descobrir a verdade. Foi um sonho, e era de manhã cedo. Eu sonhei com o calvário inteiro. Caminhei lentamente lá pra baixo, segurando a minha cabeça, ela doía muito. Devo ter esperneado no meio da noite por causa do pesadelo e bati com a cabeça. Eu fui vomitar devido ao meu sonho, fez-me sentir mal do estômago. Talvez eu estava ficando doente. Eu chamei pelos meus pais. Nenhuma resposta. Eles devem estar lá fora. Eu fui para a porta de trás, abriu-a e mancando do lado de fora. Eu chamei de novo. Ainda sem resposta. Caminhei até a borda do jardim para ver se eles estavam nos campos. Eu vi alguma coisa à distância. Achei que eram eles. gritei e a figura olhou para mim e acenou. Fiquei feliz de saber que os meus pais estavam sãos e salvos, e que eu ia ficar bem. As turbinas não estavam girando naquela manhã. Passei o resto da manhã assistindo TV. Eu não me incomodei olhando pela janela para ver onde eles estavam. Eu estava muito envolvido assistindo desenhos animados.

Por voltas das 4 da tarde, eles ainda não haviam retornado para a casa. Fui lá fora para procurá -los e foi quando eu parei congelado no meio do jardim. Uma das turbinas estava vermelha. Quando eu olhei para ele, eu gritei de horror. No final de 2 dos "braços" da turbina, havia corpos girando, girando, girando. A figura à distância começou a acenar-me novamente. Ah não. Não podia ser! Isso foi um sonho. Eu era uma concussão! O pote de tinta tinha me feito desmaiar! Foi quando notei que uma escrita em cima do muro. A escrita que não estava lá antes. As palavras que me fizeram sofrem por incontáveis anos até agora.

"Obrigado por me ajudar a pintar!"

O Palhaço, a Tinta e as Turbinas

Jason, O Criador de Brinquedos
Não tenho muitas lembranças do meu passado. O rosto dos meus verdadeiros pais estava desfocado na minha mente. Eu tinha apenas alguns flashes da minha infância, nomes sem rostos e escuridão total.

Aos nove anos de idade algo aconteceu comigo. O trauma foi tão grande que me fez querer esquecer a maior parte da minha vida, felizmente ou não, eu esqueci. Minha única lembrança vívida, porém, muito nebulosa está relacionado a quem devia ser meu melhor amigo antes do trauma. Era uma imagem dele ainda borrada na minha mente, de fundo uma risada junto com a melodia de uma caixinha de música. Se eu forçar bem, ainda podia ver seus olhos castanhos e cabelos mogno escuro. Lembrei-me de seu sorriso amigável, mas nada mais. O resto desapareceu na escuridão.

Sem ninguém saber do meu passado, eu fui levado à um orfanato. Impressionantemente fui adotado. Madalena e Steven me trouxeram de volta a sensação e calor de ter uma família, era um sentimento que eu também havia esquecido.

Minha amnesia me levou à testes e exames psicológicos, semana após semana, mês após mês e ano após ano. Até que lentamente começaram a acreditar que era um caso irreversível. Por um lado, eu queria saber o que aconteceu comigo, mas por outro, uma estranha sensação de angustia me fazia acreditar que era melhor eu não querer saber o que aconteceu.

Obviamente isso trouxe consequências para mim. Era uma sensação de ser perseguido por algo.
Especialistas disseram que nasci com um material genético no DNA que está relacionado a uma memória especial que foi continuamente estimulada. Não se sabe a cause nem o que realmente e apesar dos meus esforços eu mão conseguia me concentrar no que foi armazenado e esquecido nessa memória.

Eu me sentia como se estivesse sendo vigiado constantemente, mas não por pessoas, me sentia vigiado pelos brinquedos no meu quarto. Era estupido eu sei, no início eles eram apenas brinquedos, mas uma vez e outra, grandes olhos redondos olhavam para mim. Desde que eu era pequeno eu sempre pensei que os brinquedos de pelúcia do meu quarto estivessem vivos e muitas vezes eu tentava provar. Eu olhava por um instante para fora do meu quarto entre a porta, depois voltava meus olhos para onde estava minha atenção e quando meus olhos passavam por um relance eu tinha a impressão de ver os olhos piscarem.

Se brinquedos eram uma das minhas poucas lembranças que me fazia sorrir, as coisas mudaram. Uma vez e outra, brinquedos olhavam para mim, quase parecia que estavam testando minha sanidade e eu não aguentava mais. A ideia de estar ficando louco preenchia minha cabeça. As vezes parecia que eles se moviam, virando seus rostos para mim e outras vezes faziam barulhos no meu quarto. Não podia ser verdade, era impossível. Porque esses pensamentos me assombram?

Porque eu odeio tanto brinquedos? Então, porque não me livrar deles? Eles poderiam ser doados a outras crianças ou simplesmente poderia joga-los fora.
Um dia eu tentei, eu realmente tentei, mas quando tomei um deles nos braços, fui preso a um forte sentimento de ansiedade obscura.

Eu sempre acabava trazendo-os de volta para seus lugares na estante, na minha cama ou nas prateleiras, então eu comecei a tomar tranquilizantes.
Havia apenas um brinquedo que eu levava comigo à noite, apesar da minha idade, eu não conseguia me separar dele. Eu sentia um calor familiar que devia ter começado antes da minha amnesia.
Eu o encontrei em meu armário no orfanato e desde então nos tornamos inseparáveis. Era o Sr. Coelho, ele tem orelhas flexíveis, de um lado era vermelho e do outro, cor de caramelo. Ele usava um colete preto com duas mangas longas que se arrastava até os pés e tinha elegantes pontos em cada borda do tecido. Seu pequeno olho esquerdo foi costurado com um tampão feito a partir de um botão preto de camisa. Era divertido, mas parecia ser o único brinquedo inofensivo.  Devido a paranoia com os outros brinquedos, eu voltei a dormir junto com o Sr. Coelho. Eu acreditava que ele poderia me proteger.

Naquela noite eu deixei ele escapar dos meus braços para debaixo da coberta, escapei do meu sono instantaneamente e minhas antigas paredes rangeram.
Eu estava parado no escuro, incapaz de me mover ou entender como fui parar lá, rodeado apenas por um agudo silêncio. Algo viscoso agarrou meu pulso e apertou com tanta força que a dor percorreu por todo meu corpo. Um conjunto de unhas pontudas como agulhas lentamente começou a penetrar minha carne. Eu o via cortando minha pele e me fazendo sangrar. Eu gritava e chorava, mas a risada cobria o som dos meus apelos desesperados.

- ELA PERTENCE A MIM - Uma voz sussurrou. Dentro desse abismo de escuridão, dois olhos verdes brilhantes apareceram diante de mim apenas alguns centímetros do meu rosto.

- VOCÊ É APENAS UM IMPECILIO PARA MIM! HAHAHAHA – Aquilo começou a gargalhar da minha dor enquanto eu era perfurado por unhas que mais pareciam agulhas ou facas.


Ele me furou e mexia com ferramentas enferrujadas dentro de minha carne, ele dizia que estava ali para me consertar. Notei uma porta aberta, era a única coisa que podia fazer distinguir na escuridão. Meus olhos estavam embaçados pela dor, mas pude notar algumas pessoas que na verdade pereciam muito menores. Eu vi que eles não eram pessoas reais. Eram brinquedos de pessoas e bonecos, nesse momento eu senti uma forte sensação de náusea tomando conta de mim apenas por olhar para eles. Algo neles fez meu estomago se revirar, eu sentia como se aqueles bonecos já tivessem sidos pessoas reais.

- ELA PERTENCE A MIM.

Com isso eu acordei, meus olhos estavam bem abertos e meus batimentos cardíacos estavam tão acelerados que eu podia senti-los batendo na minha garganta. Com dificuldade para respirar eu me sentei na cama e esfreguei os olhos e notei que estava suando. Deixei meu coelho cair no chão de cabeça para baixo, me abaixei para pega-lo e colocá-lo de volta na cama. Minha respiração voltava ao normal, mas a imagem daquelas unhas pontudas, todo aquele sangue e aqueles brinquedos assustadores foram incluídas na minha mente.

Eu nunca tive um pesadelo daquele antes. As sensações foram terrivelmente reais. Eu ainda podia sentir aquelas garras fazendo buracos na minha carne, mas eu estava tranquilo por estar acordado. A porta rangeu e minha mãe entrou pelo quarto, assim que ela viu meu rosto exausto seu sorriso desapareceu.

-Querido? Você está bem?
- Sim mãe, foi só um pesadelo. Agora estou bem.
-Ok, Deise veio te visitar e está te esperando na sala.

Com isso eu sai da cama, eu estava acabado e eu não queria que minha melhor amiga me visse assim. No espaço de alguns minutos eu sai do meu quarto pronto. Na minha pressa eu estava sem folego.

-Finalmente! – Disse Deise sorrindo.

Eu conheci Deise na escola e desde então nos tornamos inseparáveis. Ela era uma pessoa muito generosa e bem-vinda na família. Meus pais apreciam suas boas maneiras, mas o que eu amava nela era uma atitude em particular, ela nunca me perguntou nada sobre meu passado. Eu tive a oportunidade de falar da minha amnesia com confiança.

O dia estava agradável e ensolarado, portando ficamos debaixo de uma árvore no jardim. Conversávamos lá enquanto a árvore nos servia de abrigo contra o sol. Eu levei alguns lápis de cor e folhas para passarmos o tempo. Deise logo cansou de desenhar e foi colher algumas margaridas para coloca-las em suas tranças loiras enquanto resmungava algo sobre Luisa, uma menina que se achava o centro das atenções. Enquanto ela falava eu ficava desenhando sem tirar os olhos do papel.

- Quem é esse? Ela me perguntou ao ver meu desenho. Era como se eu estivesse em um estado de transe naquele momento, eu falhei minhas pálpebras contra o papel e me senti bastante confuso ao ver repetidas vezes o mesmo desenho.


- Eu não sei;
Eu não tinha ideia de quem ele era. A imagem mais nítida mostrava a imagem de um homem vestindo um colete preto com um casaco extravagante e volumoso nos ombros. Tinha um sorriso bonito e feliz e dois olhos amarelos que estavam um pouco cobertos por sua franja. Ele usava roupas escuras e na mão segurava uma caixa azul, semelhante a uma caixinha de música.
- Acho que devo ter visto em algum desenho.
- Ah, entendi. Vou comprar um sorvete – Disse Deise, mudando logo de assunto nossa conversa, aparentemente não muito interessada.

Naquela mesma noite tive outro pesadelo e esse era pior que o último. Sonhei com a figura escura novamente, que me torturava brutalmente e repetia a mesma frase outra e outra vez.

- ELA PERTENCE A MIM.

Acordei as duas da manhã com minha respiração ofegante. Eu me virei no sentido contra a parede, coloquei as mãos no meu rosto e respirei fundo.

- Foi só um sonho, foi só um sonho – Eu sussurrei. Então eu olhei para o Sr. Coelho ao meu lado. Ele estava olhando diretamente para mim com os olhos negros e de raiva, eu me assustei e o joguei no chão. Desde que comecei a dormir com essa coisa, meus sonhos se tornaram pesadelos. Me virei para descansar as pernas e em seguida senti algo tocar meus pés.

Ergui os olhos e notei um brinquedo sobre minha cama. Um brinquedo que eu nunca tinha visto antes na vida. No começo eu estava congelado no meu lugar, tudo que podia fazer era olhar para ela. Não entendi como ela foi aparecer lá. Minha mente começou a pensar sobre meus verdadeiros pais terem deixado esse brinquedo de presente. Talvez eu não gostasse tanto assim desses brinquedos, para dizer a verdade a presença deles me incomodava.

Essa era uma boneca peculiar de cera, em uma de suas pernas havia uma corrente presa a uma bola pequena, mas pesada, como se fosse para evitar que a boneca fugisse. Ela tinha um cocar de margaridas em seus cabelos, usava um vestido branco de renda bordado com fita amarrada em torno da cintura. Seus braços eram longos e tinham dedos longos de forma que não era normal para uma boneca. O que mais me chamou a atenção era uma rosa que ela tinha no meio da boca como se ela tivesse sido silenciada.

Olhei mais de perto examinando sob o luar, eu toquei seu rosto e percebi que havia algo de errado, me ajoelhei e tentei olhar ainda mais de perto, então eu ouvi algo. Uma espécie de som fraco... parecia como um... apito... eu senti uma pulsação, vinha do brinquedo!

Eu gritei e me levantei aterrorizado derrubando ela no chão, eu tremia violentamente e fui ao canto da
parede gritando por meus pais. Então de repente, tudo se tornou surreal.

A parede ao lado tinha o quadro que começou a tremer, a parede ganhou relevo como se houvesse bolhas entre a tinta e o cimento. Gradualmente as fissuras apareceram e aumentaram em número. O quadro na parede caiu no chão revelando uma porta atrás dela. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, essas coisas só acontecem em livros ou em nossa imaginação, mas para minha surpresa eu sentia que algo estava vindo daquela porta. Então via as mesmas mãos negras e pontiagudas que eu presenciava em meus pesadelos.

- Você não gostou da visita de Deise? – Disse a criatura na porta – Eu não gostei disso, sabe? Ela chorou muito.

Deise? Como assim? Olhei em volta, confuso, procurando a presença da minha amiga que obviamente não estava lá. No final, meus olhos observavam a boneca. Aquele cabelo loiro me parecia estranhamente familiar. Prendi a respiração, um pesadelo, isso só poderia ser outro pesadelo. Peguei a boneca do chão e levei até perto do meu rosto com minhas mãos trêmulas. Eu coloquei meu ouvido perto de seu peito e ouvi um som junto com o apito. Era, batimentos cardíacos!

-Deise? Deise! – Eu gritei desesperadamente. Tinha que ser um pesadelo. Algo assim não poderia estar acontecendo.

Percebi que meus pais estavam próximos ao meu quarto, eles devem ter me ouvido gritar, mas a coisa estava bloqueando a entrada. Meus pais começaram a bater fortemente na tentativa de invadir o quarto, eu estava em pânico sem saber o que fazer. Não era como nos sonhos, o monstro era real como nos pesadelos de tortura. Meu coração estava batendo tão forte que eu comecei a sentir a dor e a suar frio e o tremor nas minhas mãos estavam difícil de controlar.

O monstro continuava na porta imóvel. Na penumbra pude ver seu sorriso maligno como se estivesse esperando alguma reação minha. Tentei libertar a boneca da corrente de cera que parecia pesar toneladas para seu tamanho. Forcei, forcei e forcei enquanto o apito que vinha da boneca se tornaram mais intensos até que eu senti algo molhado sob minhas unhas. Olhei para minhas mãos e estavam cobertas de sangue. A corrente parecia fazer parte dela e os pequenos cortes que fiz na corrente não estava ajudando em nada. A boneca que supostamente era Deise estava sofrendo, seus apitos eram mais horrendos, mas sua expressão permanecia impassível a de uma boneca. Eu tremia em horror. Eu tinha que me conter e de repente a criatura pegou no meu braço.

- Nathan, você está machucando ela! – Exclamou o ser dos olhos esverdeados – O Sr. Coelho também não gostou de ser derrubado, mas eu te perdoo. Você se juntará a eles se continuar com essa malcriação;
  ­ Que diabos é vocês? – Eu tremia como um louco tentando me libertar enquanto meus pais tentavam arrombar a porta. A Expressão dessa criatura estava cheio de admiração pela minha pergunta.
- Eu sou Jason, o criador de brinquedos – Exclamou ele – Seu fiel amigo e único que realmente pode confiar!

Ouvir seu nome fez algo mover em minhas memorias, como um choque elétrico que percorreu todo meu corpo. Meu pai conseguiu quebrar a porta e acendeu a luz. Quando finalmente vi seu rosto minha mente explodiu, fazendo relembrar de todo meu passado, de todas memorias que estavam enterradas na mente.

Me lembrei do dia que encontrei ele pela primeira vez. Brinquedos floresciam de suas mãos, lembrei-me daquele sorriso agudo e sádico. Naquele dia eu o deixei muito irritado, ele esperava que eu desse mais atenção a sua arrogância, ele acreditava que merecia tudo de mim. Então ele se cansou e mostrou quem realmente era. Ele se revelou e aniquilou todas as pessoas importantes em minha vida. Ele sequestrou meus amigos para transforma-los em seus brinquedos, no início eu admirava ele por poder fazer tal coisa, eu era estupido por pensar assim. Foi inútil eu correr pela casa porque a porta azul reapareceu no meio da sala. Ele abateu meus verdadeiros pais e teve sua vingança, levando eles para longe de mim e quase me pegou também, mas consegui escapar de suas garras e corri o tanto quanto pude para longe dele mas o cheiro de sangue e carne decomposta persistia no ar.

- Foi você! – Eu estava possuído pela raiva e comecei a golpeá-lo com minha mão que estava livre dele. – Você que matou eles! Você! Eu continuei batendo nele, mas Jason continuava a sorrir, parecia que eu estava fazendo cocegas nele. Ele não tinha remorso algum por ter arruinado minha vida. Ele é um animal possessivo escondido atrás de um rosto bonito. Ele foi capaz de me dar tudo e depois arruinar minha vida. Ele era um ser maligno.
- É claro que fui eu minha esplêndida criatura! O Sr. Coelho foi um presente que eu criei pra você sempre lembrar de mim. – Ele sorriu para si mesmo. – Eu já fiz muitos, muitos brinquedos pra você com pessoas vivas, mal posso esperar para te apresentar a sua futura dona, Mareanda, mas você pode chama-la de Mandy se preferir.

De repente, algo acertou a cabeça dele mas quebrou em pedaços. Meu pai tinha um porrete de madeira, ele acertou o golpe na cabeça do monstro, mas a madeira foi quebrada. O sorriso de Jason se tornou uma careta de ódio e ele pressionou com mais força em meu pulso. Ele se virou e quando viu o rosto de Jason ele abriu os olhos arregalados e minha mãe cobriu a boca para abafar seus gritos. Meu pai não perdeu tempo em me libertar novamente. A vara quebrada no meio atingiu o rosto do Criado de brinquedos, na mesma hora puxei meu braço e consegui me libertar.

Corri junto com meus pais para fora do quarto. Rapidamente corremos para entrada, meu pai abriu a porta, mas em vez de termos a visão da frente do nosso jardim, havia um workshop do Jason.
- Nathan, eu vou lhe dar uma última chance! – Jason disse em uma voz baixa descendo as escadas – Eu vou pintar as paredes dessa casa com o sangue de todas as pessoas que você ama HAHAHAHA!
-Para cozinha, rápido! Nós corremos para a cozinha, ouvindo o riso do monstro que nos seguia.
Agora eu tinha uma assombrosa certeza que não era mais um pesadelo. O terror se apoderou de mim e o sangue de Deise em meus dedos era mais real do que qualquer coisa que já senti.

Eu me virei:
- Cadê o papai?
Minha mãe pegou uma faca e ficou mais perto de mim me segurando pelos braços.
- Steven! – Ela gritou com uma voz tremula, mas suspiramos de alivio quando vimos ele vindo da cozinha.
- Depressa antes que ele... – Assim como eu, ela olhou para o rosto pálido do meu pai. Ele caminhava lentamente com um olhar fixo no espaço e com os olhos arregalados.
De repente ele caiu no chão e atrás dele apareceu Jason com um sorriso congelado. O criador de brinquedos olhou para mim com os olhos selvagens.
- Acho que a bateria do papai acabou, deixe eu dar uma recarregada HAHAHA! – Jason revelou uma chave mecânica gigante pregada na parte de trás do meu pai, estava manchada de sangue. Ele deu corda no meu pai como se fosse seu brinquedo, a medida que ele girava a chave meu pai gritava. Na segunda girada eu comecei a gritar também, cobrindo meus ouvidos para bloquear o som dos ossos quebrando, mas eu não conseguia tirar meus olhos do corpo dele se contorcendo como uma cobra agonizado em dor.
- Vai embora! Deixe meu filho em paz! - Minha mãe me abraçou com força contra o peito e apesar do terror e as lagrimas, seu rosto parecia como uma leoa que protege seu filhote.
- Cala boca vadia! Não é com você que eu quero falar! – Resmungou o criado de brinquedos, furioso ele apontou sua garra branca – Vem comigo meu velho amigo. Nós vamos nos divertir juntos novamente, vamos voltar com a alegria e risos de antigamente.
- Não! Você é um psicopata! Eu não quero me tornar um monstro como você e tenho certeza que ninguém mais nesse mundo quer ser amigo de um monstro. Quero que você suma da minha vida! Quero ter minha vida de volta!

Ao som de minha recusa o rosto de Jason escureceu e seus olhos brilharam em fúria. Ele entrou em delírio, se contorcia e balançava a cabeça em negação.
- Eu não entendo – Ele resmungou baixinho – Você não entende, né? – Agora ele gritou cerrando os dentes, o rosto dele era ainda mais assustador agora – Eu fui o único que estava ao seu lado enquanto seus pais preferiam trabalhar Eu fui seu fiel amigo quando ninguém mais era – ele chegou mais perto de mim – Eu te dei toda minha atenção e criei um monte de brinquedos do jeito que você queria, então você não me quis mais e me machucou! – Seus gritos eram tão altos que ecoava pelas paredes enquanto meu corpo estremeceu de terror a cada palavra. – Eu me livrei das pessoas que et machucaram, não lembra? Você me pediu isso, eu acreditei que você queria ser meu amigo para sempre, mas você preferiu esquecer de mim.

Então o rosto relaxado de antes sumiu por completo e deu lugar a um rosto de louco sádico.
- Depois de tudo que eu fiz por você, não há desculpas, há algo extremamente errado com você. Você é uma criança extremamente má. Mas não se preocupe, eu vou corrigir isso. EU VOU TE CONSERTAR POR COMPLETO!
-Q-que? – Minha voz tremia.
-Você ouviu ingrato! Eu vou te consertar porque você não está bem – ele riu – Você vai se tornar meu mais lindo brinquedo.
Minha mãe estava paralisada por Jason, de repente acordou do transe e apontou a faca para ele.
- Não se atreva a tocar um dedo no meu filho, senão eu juro que vou mata-lo.
Jason olhou para minha mãe com um olhar desafiador e lentamente se aproximou. Eu sabia que Jason não gostava de ser desafiado. A faca tremia na mão da minha mãe enquanto Jason lançava um olhar inexpressivo. Ela me empurrou para trás dela e pulou em cima dele, minha mãe esfaqueou seu coração e os olhos do monstro se arregalaram, se contorcia de dor, gritando e agitando as sobrancelhas freneticamente, minha mãe sorriu triunfantemente.
- Brincadeirinha!

Foi quando o sorriso de Jason ressurgiu, ele abriu os braços indiferentemente, sem se incomodar com a faca cravada em seu peito. Minha mãe ficou imóvel por alguns segundos, mas ela estava possuída pelo desespero e começou a esfaqueá-lo diversas vezes, tentando desesperadamente fazê-lo reagir de alguma forma. O som nauseante de carne perfurada pela faca podia ser ouvido claramente, mas Jason matinha o perfeito equilíbrio.

- Acho que já foi o suficiente – num piscar de olhos ele pegou minha mãe pelo cabelo e bateu violentamente contra o chão – Eu estaria em apuros se encostasse nele, foi isso que você tinha dito?
Eu estava ao lado de minha mãe, ajudando a se apossar de joelhos, um lado do seu rosto estava inchado. Meus olhos saltaram para o criador de brinquedos que estava à espera de uma revanche imediata, mas eu estava petrificado como uma pedra quando vi o que ele estava fazendo.

Ele desabotoou a camisa e dirigiu as unhas no próprio peito, perto das lesões que recebeu com a faca. Ele afundou suas garras em sua carne e remexia por dentro dele procurando alguma coisa. Na ferida apareceu algo se rasgando para sair, um liquido preto e espesso caiu no chão. Não era sangue, mesmo se fosse deveria estar muito apodrecido como algo que nunca vi na vida. Algo brilhou de sua caixa torácica exposta.
- Provavelmente você também se esqueceu do quanto eu me preocupo com uma ótima trilha sonora no ambiente, mas tudo bem.

Suas mãos expostas cobriam uma caixinha de música que ele retirou de dentro de si mesmo. Então ele veio, eu queria gritar, queria ajudar, mas o terror que havia testemunhado me deixou completamente paralisado para fazer qualquer outra coisa, o importante era que minha mãe me abraçou, mas levou apenas um breve momento para ele arrancar ela de mim. Ele não teve o mínimo esforço para toma-la. Com uma mão ele apertou suas garras no pescoço da minha mãe e com a outra segurou o braço dela que esfaqueou ele.
- Agora vou lhe mostrar o que acontece com quem tenta me machucar, mamãe.

Lentamente ele inclinou o braço dela na direção oposta. Ela gritou de dor, tentando se libertar, mas o criador de brinquedos tem uma força enorme que ele poderia quebrar os ossos dela para fora se quisesse, mas ele não queria isso, ele queria ver ela chorando de dor. As unhas afiadas começaram a penetrar a carne no pescoço na minha mãe, ela não ia conseguir se livrar dele nesse ponto, ela estava perdendo sangue e morreria em alguns segundos.

 - Ok tudo bem! Eu vou com você! Mas pare! -  Eu gritei com toda a força que me sobrou.
Jason olhou por cima com um olhar sério. Minha mãe estava ficando mais pálida devido a dor e a perda de sangue. Ela precisava da minha ajuda, mas não havia nada que eu pudesse fazer a não ser me entregar o criador de brinquedos.
- Eu vou com você, mas deixe minha mãe – Eu disse com uma voz trêmula – Afinal, nós somos amigos, certo? – Eu tentei fazer um sorriso convincente, mesmo que estivesse tremendo da cabeça aos pés e com os olhos cheios de lagrimas, Jason sorriu. Ele estava satisfeito e feliz pela sua vitória.
- Excelente escolha, Nathan. – Naquela hora, os braços voltaram a cor habitual, suas feridas foram curadas em poucos segundos e ele tomou sua aparência amigável habitual. Seu rosto voltou ao normal, mas eu sabia o monstro que estava escondido por trás daqueles olhos cor de âmbar.

Parece que Jason aceitou minha renúncia, mas antes de soltar minha mãe, ele tirou do bolso um pequeno rato vermelho. Era sem dúvida mais um de seus brinquedos, daqueles de chave de giramento, ele deu corda no brinquedo, agarrou a mandíbula da minha mãe e colocou o brinquedo dentro de sua boca.
- O que foi? O rato comeu sua língua? HAHAHA – Ele gargalhou para longe de si mesmo. Por um momento eu vi os olhos da minha mãe em amplo desespero querendo gritar, mas tampada pela mão de Jason.

Vi uma luz e em seguida... uma explosão.

Ela caiu de joelhos, queixo, nariz e olhos se tornaram apenas uma poupa de carne onde antes era seu rosto. Ela caiu no chão. Sangue saia do seu corpo manchando todo o chão. Sangue e pedaços de carne dela respingou no meu rosto, eu estava paralisado olhando e não acreditando que aquilo aconteceu com minha mãe. Jason não parava de rir.
-P-por que você fez isso?
A esmagadora sombra do criado de brinquedos me cobriu e ele se inclinou para mim, seu rosto foi marcado por uma rachadura causada pela explosão.
- Porque agora nós não somos mais amigos, você é um pedaço de merda insignificante para mim. E agora eu sou seu criador.

Então ele me agarrou pelo braço e me puxou para ele.

- AGORA EU VOU TE CONSERTAR... POR... COMPLETO!

Jason, O Criador de Brinquedos